A Evolução da Governança de Dados Capítulo 7 — A Plataforma de Dados é onde a Governança deixa de ser intenção e passa a tornar-se operação

Olá, governantes!®
Ao final do capítulo anterior, chegamos a uma conclusão que considero decisiva para a evolução da Governança de Dados. Se desejamos que ela deixe de depender exclusivamente da atuação de uma equipe especializada e passe a representar uma capacidade organizacional, seus princípios precisam ser incorporados à forma como a organização trabalha. Essa afirmação parece simples, mas ela conduz a uma pergunta inevitável, onde, exatamente, essa capacidade se materializa?
Durante muitos anos, respondemos a essa pergunta olhando para estruturas organizacionais, criamos áreas de Governança, definimos papéis, formalizamos responsabilidades e desenhamos processos capazes de orientar a produção e o consumo de dados. Esse movimento foi importante e continua sendo parte da resposta, entretanto, à medida que os ecossistemas de dados se tornaram mais distribuídos, ficou evidente que nenhuma estrutura organizacional conseguiria acompanhar, sozinha, a velocidade com que Produtos de Dados são criados, evoluem e passam a sustentar decisões de negócio.
A resposta começou a surgir em outro lugar, não nos organogramas, nem nos processos, muito menos nas políticas, ela começou a surgir na Plataforma de Dados.
Durante muito tempo, tratamos a plataforma como um componente essencialmente tecnológico. Discutíamos capacidade de processamento, elasticidade, armazenamento, integração, desempenho e custos operacionais. Esses aspectos continuam relevantes, mas representam apenas parte da sua função, mas o que realmente mudou foi o papel que a plataforma passou a desempenhar dentro da organização, ela deixou de ser apenas o ambiente onde os dados são armazenados e processados, tornou-se o ambiente onde a própria estratégia de dados passa a ganhar forma, essa mudança talvez seja mais profunda do que parece à primeira vista.
Uma estratégia de Governança só produz resultados quando consegue influenciar a maneira como os Produtos de Dados são concebidos, desenvolvidos, publicados e evoluem. Enquanto seus princípios permanecem restritos a documentos, apresentações ou procedimentos administrativos, sua aplicação continuará dependendo da interpretação e da disciplina das pessoas, quando esses mesmos princípios passam a fazer parte da plataforma, deixam de existir apenas como orientação e tornam-se características permanentes da operação.
É justamente nesse ponto que a Plataforma de Dados deixa de representar infraestrutura e passa a representar um instrumento de Governança.
Não porque substitua pessoas ou elimine a necessidade de decisões humanas, mas porque incorpora ao ambiente operacional aquilo que antes precisava ser constantemente lembrado, revisado e validado.
A responsabilidade sobre um Produto de Dados deixa de existir apenas em um documento e passa a acompanhar o próprio ativo, os metadados deixam de ser produzidos ao final do projeto e passam a nascer junto com o processamento.
Os critérios mínimos de qualidade deixam de depender exclusivamente de verificações posteriores e passam a acompanhar continuamente a evolução do produto, a linhagem deixa de ser reconstruída manualmente e passa a refletir aquilo que efetivamente aconteceu durante todo o ciclo de transformação dos dados.
Perceba que nenhuma dessas mudanças acontece porque a plataforma passou a controlar melhor as equipes, elas acontecem porque a organização decidiu incorporar seus princípios de Governança ao próprio ambiente onde o trabalho é realizado, a diferença é sutil, mas altera completamente o papel da tecnologia e a plataforma deixa de executar apenas atividades técnicas e passa a sustentar decisões organizacionais.
Essa transformação modifica, inclusive, a forma como deveríamos avaliar a maturidade de uma Plataforma de Dados, porque a discussão esteve concentrada em desempenho, disponibilidade, escalabilidade e capacidade de processamento. Esses atributos continuam indispensáveis, mas já não são suficientes para explicar o valor estratégico de uma plataforma.
Uma Plataforma de Dados madura não é apenas aquela que movimenta grandes volumes de informação com eficiência, é aquela que consegue transformar princípios de Governança em comportamentos naturais da operação.
Quando isso acontece, a Governança deixa de competir com a velocidade do negócio, cada novo Produto de Dados desenvolvido já encontra um ambiente preparado para orientá-lo.
As equipes não precisam reaprender continuamente os mesmos princípios, porque eles já fazem parte da forma como trabalham, o esforço deixa de estar concentrado em corrigir desvios e passa a concentrar-se na evolução contínua do próprio ambiente, aos poucos, a Governança deixa de ser percebida como um conjunto de atividades executadas por uma área específica e passa a representar uma propriedade da plataforma que sustenta todo o ecossistema de dados.
Talvez seja exatamente essa a mudança mais importante da Governança Moderna, porque durante muito tempo, acreditamos que Governança era algo que as organizações faziam, hoje, começa a ficar evidente que organizações verdadeiramente orientadas por dados constroem ambientes onde a Governança acontece como consequência natural da própria engenharia da plataforma, não porque alguém esteja verificando continuamente se as regras foram seguidas, mas porque o ambiente foi concebido para produzir confiança desde o início.
Essa constatação também transforma o papel das lideranças, a discussão deixa de ser apenas quais políticas devem ser criadas ou quais processos precisam ser fortalecidos e pergunta passa a ser outra, como construir plataformas capazes de incorporar esses princípios ao cotidiano da organização? Essa é uma mudança estratégica, porque desloca a Governança do campo exclusivamente administrativo para o centro das decisões sobre arquitetura, engenharia e evolução da Plataforma de Dados.
É nesse ponto que a Governança deixa de ser percebida como um mecanismo de controle e passa a tornar-se uma característica da própria operação, quanto mais madura a plataforma, menor a distância entre aquilo que a organização acredita e aquilo que efetivamente acontece com seus dados, talvez seja essa a maior contribuição que uma Plataforma de Dados possa oferecer, não apenas acelerar o processamento de informações, mas tornar a confiança um atributo permanente do ambiente onde elas são produzidas.
Essa reflexão nos conduz naturalmente ao próximo capítulo. Se a plataforma se tornou o ambiente onde a Governança se materializa, surge uma nova possibilidade, transformar atividades que ainda dependem de execução manual em capacidades continuamente executadas pelo próprio ecossistema de dados. é nesse momento que a automação deixa de representar apenas eficiência tecnológica e passa a tornar-se um dos principais instrumentos para sustentar a Governança em escala.


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