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Como promover uma governança de dados inovadora?

Comunicação
11 de set.
3 min de leitura
Luis Rudi é voluntário na DAMA Brasil
Luis Rudi é voluntário na DAMA Brasil

Um dos paradigmas que precisamos desmistificar dentro do mercado é de que a governança de dados não promove a inovação. Essa é uma grande mentira que foi alimentada pela percepção de excesso de burocracia dos modelos antigos. De uma maneira geral, gosto de pensar que a governança de dados serve como o freio de um carro nos ecossistemas de dados.


Embora o freio seja constantemente vinculado com trava, na verdade é ele que permite que o carro consiga diminuir a velocidade para parar, estacionar, realizar uma curva ou mudar de direção. Parando um pouco mais para refletir sobre isso, podemos entender que o freio:


  • Nos dá a segurança para irmos mais rápido;

  • Nos dá a proteção para lidarmos com situações inesperadas;

  • Nos dá a flexibilidade para ajustarmos a rota;

  • Nos dá a agilidade para tomadas de decisão;


É exatamente isso que a governança de dados é dentro de uma organização data-driven, a garantia de que a estratégia está sendo seguida, respeita os princípios estabelecidos e pode ser readequada conforme a necessidade de negócio.


Um pouco sobre a inovação

A inovação nada mais é do que implementar uma melhoria em produtos, serviços, processos ou métodos que gera impacto positivo para um público alvo. É a capacidade de transformar novas ideias em realidade para gerar valor para as pessoas ou empresas.


Isso significa que inovação sem uma necessidade real de solucionar um problema é uma inovação fraca (se é que podemos chamar de inovação). Ela não ajuda a tomar melhores decisões, não gera vantagem competitiva verdadeira e não impulsiona o produto de forma significativa.


Por isso temos que tomar muito cuidado, pois a maioria das ideias parecerá ousada, algumas parecerão imperdíveis, muitas serão empolgantes, mas a maioria será inútil. Não caia na tentação de atender cegamente os pedidos solicitados. Seguir nessa direção não promove a inovação, mas transforma um produto em uma coleção de compromissos pontuais que geralmente não é útil. Como diz uma famosa frase do Peter Drucker:

 “Não há nada tão inútil quanto fazer com grande eficiência aquilo que não deveria ser feito”.

A construção de produtos ou a execução de projetos precisa estar conectada à estratégia da companhia. O foco é extremamente essencial para a inovação, pois o impacto não acontece quando atacamos tudo ao mesmo tempo. Os três horizontes da McKinsey sugerem:


  • Horizonte 1: Focado em defender e otimizar o negócio principal: 70% dos recursos em inovação incremental

  • Horizonte 2: Focado em estender o modelo de negócio atual para novos públicos: 20% dos recursos em inovação disruptiva

  • Horizonte 3: Focado em criar negócios inteiramente novos, pesquisas científicas e apostas de longo prazo para responder a tendências de futuro: 10% dos recursos em inovação radical


Isso deixa claro que ser uma organização inovadora depende totalmente da consistência e clareza da estratégia. No mercado de dados, isso é ainda mais necessário, pois vivemos na hype da inteligência artificial.


É justamente nesse cenário que cresce a importância da governança de dados, pois ela servirá como uma habilitadora do sucesso ao facilitar que o objetivo corporativo seja alcançado mantendo o foco de todas as disciplinas de gestão de dados, monitorando o avanço do plano estratégico e avaliando se os resultados realmente estão sendo produzidos. 


Do mesmo modo que ninguém em sã consciência entraria em um carro e aceleraria sem ter a certeza de que vai conseguir parar depois, não comece a investir indiscriminadamente na pseudo inovação com IA sem estabelecer o fundacional e os mecanismos necessários que conectem a tecnologia com um valor real para o negócio.


O freio ou a governança de dados não funcionam sozinhos, eles são parte de um todo que precisa funcionar. E para finalizar, gostaria de lembrar que ter um carro potente não é mais importante do que ter um carro adequado à minha necessidade. Do mesmo modo, ter um framework de dados moderno não vale mais do que ter uma estrutura de dados funcional que fomente a cultura data-driven sustentável dentro da companhia.



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