Como implantar um programa de governança de dados de sucesso?
Atualizado: 11 de set.

A governança de dados é uma disciplina formalmente criada no final dos anos 1990 como evolução da governança corporativa e da gestão da qualidade de dados. Se considerarmos que o escopo da gestão de dados sempre considerou políticas e normas de dados, podemos informalmente dizer que a governança de dados existe desde a década de 1960.
Embora seja um tema relativamente antigo no universo de TI, aparentemente a governança de dados só começou a ganhar relevância significativa nos últimos anos por causa das leis de proteção de dados pessoais e por causa dos gaps gerados pela adoção massiva da inteligência artificial.
A hype que vivenciamos gerou um grande movimento de implantação e escala dos programas de governança de dados (e isso é bom), mas essa aceleração não veio junto com investimentos adequados e com uma reorganização estrutural dos processos, dos papéis e das responsabilidades (e isso é ruim). Na minha visão, o resultado desse cenário é materializado na previsão de 2024 da Gartner:
“Até 2027, 80% das iniciativas de governança de dados falharão devido à ausência de uma crise real ou fabricada”
Existem pelo menos três perspectivas nessa previsão que eu gostaria de destacar para não alimentarmos a estatística do fracasso:
Primeira:
As organizações precisam de uma estratégia de dados definida e conectada com as necessidades de negócio (crise real ou fabricada). A governança de dados é a guardiã da estratégia, ou seja, a estratégia é um elemento inegociável para o sucesso de qualquer programa de dados.
“Um programa de governança de dados que não permite alcançar os resultados de negócios priorizados fracassa” (Saul Judah)
Para entender mais sobre as diferenças de governança e gestão, sugiro a leitura do artigo: https://www.linkedin.com/pulse/voc%25C3%25AA-sabia-que-governan%25C3%25A7a-e-gerenciamento-de-dados-s%25C3%25A3o-afonso-silva-nxegf/?trackingId=UT0SZi1LQvyNADhgwcAAdg%3D%3D
Sobre a crise real e fabricada, segue pequeno resumo para entendimento:

Segunda:
Construir um ecossistema de dados sustentável e saudável é a direção lógica para escalarmos o poder e o valor dos dados e da inteligência artificial nas companhias.
Dentro deste contexto, é importante ressaltar:
Não é algo trivial
Não acontece da noite para o dia
Não pode ser alcançado sem investimento adequado
O fundacional não pode ser negligenciado
Sem bons dados, não existe inteligência confiável. E sem governança de dados, não existe decisão confiável. As empresas que vão dominar o mercado destravado pela IA são aquelas que possuírem um programa de governança de dados funcional.
Terceira:
A governança de dados não pode adotar uma abordagem tática focada no ativo. Ao invés disso, as áreas de governança de dados devem executar uma abordagem estratégica mais fiel ao seu propósito de gerar valor para o negócio.

Na minha trajetória tive a oportunidade de ver, desenvolver e manter programas de governança de dados funcionais. Felizmente não caí na estatística negativa prevista pela Gartner, entretanto, posso afirmar com bastante assertividade que é uma jornada com constantes desafios e situações não previstas potencializadas pela maturidade corporativa (de dados ou da cultura organizacional).
Cada pessoa, time ou organização tem suas complexidades. Diante disso, a pergunta que faço é: Seu programa de governança de dados é um bem sucedido?
Referências:




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