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Como convencer a diretoria a investir em Governança de Dados

  • Comunicação
  • 27 de jun.
  • 3 min de leitura
Tereza Cristina é voluntária na DAMA Brasil
Tereza Cristina é voluntária na DAMA Brasil

Muitas iniciativas de Governança de Dados fracassam antes mesmo de começar, mas não por falta de tecnologia, ferramentas ou conhecimento técnico, mas porque a proposta foi apresentada da forma errada.


Ao longo da minha trajetória, percebi que um dos maiores desafios dos profissionais de dados é tentar convencer a diretoria utilizando argumentos que fazem sentido para quem trabalha com dados, mas não necessariamente para quem toma decisões de negócio.


Os executivos não aprovam investimentos porque ouviram falar de catálogo de dados, linhagem, metadados ou data quality, eles aprovam investimentos quando conseguem enxergar redução de risco, aumento de eficiência, geração de receita ou vantagem competitiva.


Então pare de perguntar como implantar a Governança de Dados e comece a demonstrar que a ausência da Governança está custando dinheiro para a organização, com isso, pare de vender Governança e comece a vender valor.


Um erro recorrente é apresentar Governança como um projeto, porque ela é uma capacidade organizacional. 


Quando falamos apenas sobre políticas, processos e controles, a percepção é de custo, quando mostramos impactos no negócio, a percepção passa a ser de investimento.


Alguns exemplos do que deve ser apresentado:

- Dados inconsistentes gerando retrabalho operacional.

- Indicadores divergentes entre áreas.

- Decisões estratégicas baseadas em informações conflitantes.

- Riscos regulatórios e de conformidade.

- Baixa confiança nos relatórios corporativos.

- Projetos de IA comprometidos pela falta de qualidade dos dados.


A diretoria não investe em Governança, ela investe na solução desses problemas, então conecte a Governança aos objetivos estratégicos e, claro, toda organização possui prioridades, pode ser crescimento, eficiência operacional, experiência do cliente, redução de custos, inovação ou conformidade regulatória, a Governança precisa ser posicionada como um habilitador dessas prioridades.


Se a empresa busca eficiência operacional, mostre como a padronização e a qualidade dos dados reduzem desperdícios, se o foco é inteligência artificial, demonstre que modelos confiáveis dependem de dados confiáveis, se a preocupação é regulatória, evidencie os riscos associados à LGPD, auditorias e requisitos de compliance, a Governança que não está conectada à estratégia tende a perder prioridade.


Comece pequeno e entregue rápido


Outro erro comum é propor programas gigantescos, os executivos valorizam resultados visíveis, em vez de apresentar um plano de três anos, identifique um problema relevante e demonstre resultado em poucos meses.


Uma iniciativa focada em qualidade de dados de um processo crítico pode gerar mais apoio executivo do que um programa amplo sem entregas perceptíveis.


A credibilidade é construída por meio de resultados, então, fale a linguagem da diretoria, os eecutivos raramente perguntam sobre metadados, eles perguntam:

- Qual risco estamos reduzindo?

- Quanto vamos economizar?

- Qual impacto teremos no negócio?

- Como isso melhora a tomada de decisão?


Por isso, a comunicação é tão importante quanto a solução, troque termos excessivamente técnicos por mensagens orientadas a valor, em vez de falar sobre catalogação de dados, fale sobre redução do tempo para encontrar informações confiáveis, em vez de falar sobre qualidade de dados, fale sobre decisões mais assertivas, em vez de falar sobre metadados, fale sobre produtividade e rastreabilidade.


O papel da Governança na era da Inteligência Artificial


Com a aceleração da IA, a Governança deixou de ser apenas uma disciplina de controle, ela se tornou um fator estratégico para inovação.


Organizações estão investindo milhões em Inteligência Artificial, mas muitas ainda enfrentam problemas básicos relacionados à qualidade, classificação, rastreabilidade e proteção dos dados, sem Governança, a IA amplifica problemas, com Governança, a IA amplifica valor e essa é uma das conversas mais relevantes que líderes de dados podem levar para a diretoria atualmente.


Convencer a diretoria a investir em Governança de Dados não depende de apresentar mais controles, mais processos ou mais ferramentas, depende de demonstrar valor. 


Líderes de dados que conseguem conectar Governança à estratégia, aos resultados e à geração de confiança transformam a discussão de custo para investimento.


Governança não é só sobre dados, mas sobre criar condições para que a organização tome decisões melhores, reduza riscos, acelere a inovação e gere resultados sustentáveis, e é exatamente por isso que ela deve ocupar um lugar na agenda estratégica da alta liderança.

*Tereza Cristina é voluntária na DAMA Brasil

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