Os Desafios de Definir Domínios de Dados em um Data Mesh
- Comunicação
- há 3 dias
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Quando falamos em Data Mesh, logo pensamos em conceitos sofisticados como produtos de dados, governança distribuída e plataformas de autoatendimento. Mas, na prática, existe um primeiro passo que costuma gerar mais dúvidas do que respostas: como definir os domínios de dados?
Mais do que um exercício técnico
Muitos times começam olhando apenas para a plataforma: permissões, contas na nuvem, catálogos e pipelines. E, de fato, isso é essencial. Mas se limitarmos a discussão ao nível técnico, corremos o risco de montar apenas um “caixa de Lego” cheio de peças… sem nunca construir o avião.
Definir domínios não é apenas escolher tabelas ou sistemas. É entender a linguagem do negócio e traduzi-la em fronteiras que façam sentido tanto para a tecnologia quanto para as áreas que vão consumir e produzir dados.
Entre teoria e prática
Do lado conceitual, existem frameworks de mercado que ajudam a pensar em domínios — como segmentar por cliente, produto, sinistro, faturamento, canais etc. Mas quando vamos para a prática, percebemos que cada empresa tem suas particularidades. O que parece “um domínio” em teoria pode, na realidade, se desdobrar em vários subdomínios, dependendo da forma como os dados são coletados e usados.
É aí que surgem os debates acalorados:
Este tema deve estar em um domínio próprio ou ser parte de outro?
Faz sentido separar por canal de distribuição ou agrupar com apólices?
Essas perguntas não têm respostas únicas — e é justamente aí que nasce a maturidade do modelo.
A importância da experimentação
Outro desafio é sair da teoria e experimentar. Workshops, laboratórios de dados e até “dias de imersão” ajudam a criar um espaço seguro para montar protótipos, validar hipóteses e ajustar a segmentação de domínios.
Esse ambiente permite que o time perceba, na prática, como os dados se conectam, quais são as dependências e onde estão os gargalos. O importante é aprender rápido: o primeiro desenho de domínios dificilmente será o definitivo.
Três aprendizados fundamentais
Negócio primeiro, tecnologia depois: domínios devem refletir áreas de valor para a organização, não apenas sistemas ou organogramas.
Domínios são vivos: ajustes são naturais — tentar acertar de primeira é ilusão.
Governança distribuída exige clareza: cada domínio precisa de dono, responsabilidades e contratos de dados bem definidos.
Conclusão
Definir domínios de dados não é um passo burocrático; é o coração de um Data Mesh bem-sucedido. Exige diálogo entre tecnologia e negócio, experimentação prática e coragem para revisar as escolhas iniciais.
O segredo está em começar simples, priorizar o que traz valor rápido e, principalmente, lembrar que a jornada de dados é tanto sobre pessoas e colaboração quanto sobre plataformas e arquitetura.
Este arquitigo tece como coautora Kellen Coelho, líder de Governança de Dados
Leandro Coelho é Vice presidente de Filiação e Parcerias na DAMA Brasil.





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